Desencanto! (Netflix)

By 29 de agosto de 2018Colunas

No ano de 1987, Matt Groening ia surpreender a todos com episódios curtos de personagens amarelados no ”Tracey Ullman Show”, que depois de três temporadas viria a ser o Simpsons como conhecemos, e tendo seu espaço na TV. Matt nos trouxe uma família nada formal, mas que ao mesmo tempo agia de forma sarcástica em cima do cidadão de classe média americana, sempre trazendo críticas ácidas e pontuais. Os Simpsons, após 29 anos perdeu muita essência, é claro, estamos falando de uma vida produzindo uma animação que vai contra o convencional e tem que se adequar a tantos processos, questões religiosas e políticas. Saudosistas preferem as dez primeiras temporadas, outros as quinze primeiras (Eu me incluo nestes, apesar de ser fã e acompanhar gradualmente), e uns dizem que o desenho deveria ter acabado, outros dizem que deveria ter seguido a fórmula de Futurama, que começou no ano de 1999 e acabou em 2003, com sete temporadas disponíveis.

Groening vem nessas décadas nos trazendo a atualidade contida em Simpsons, e nos trouxe em Futurama o futuro, nada mais justo do que retornar ao passado! (Algo que geralmente só pode ser feito na Casa dos Horrores em Os Simpsons). E é nessa história que entra Desencanto, desde 2007 com Simpsons – O Filme, Matt Groening não produzia mais do que sua zona de conforto, mas com a Netflix em alta e novos desenhos surgindo a todo momento, por que não!? Afinal, nunca é demais atualizar.

Desencanto nos trás a história da princesa Bean, da Terra dos Sonhos, aonde está sendo forçada a se casar para manter uma aliança política e acabar com sua vida de farra, da qual envolve tudo aquilo que o ser humano deveria estar exercitando diariamente: Apostas, bebedeira, sexo e alguns assassinatos na conta (Ninguém é de ferro). Buscando sua liberdade e compreensão do seu pai, o rei Zog, Bean não sente que se encaixa em nada, seja numa vida de princesa ou com suas responsabilidades forçadas que são colocadas por seu pai em determinados momentos. Com essa apresentação rápida da trama, nós vamos ter os outros dois personagens que compõe os personagens principais da série. O demônio pessoal da princesa, Luci, que é misteriosamente dado de aniversário para ela e que se demonstra um personagem ácido, sarcástico e viciado (Como todo bom demônio), que atua como seu ”conselheiro” (Quando se trata de expurgar uma cidade inteira) e amigo. E também temos Elfo, um elfo que a porra do nome é Elfo. Vindo de uma terra escondida além da cidade, na qual os elfos vivem felizes produzindo doces, ”Elfo”, é triste, deprimido e queria morar em um lugar aonde ele pudesse sentir de diversas formas diferentes, que não fosse obrigado a sorrir o tempo inteiro, o que o leva a fugir para a cidade e acabar parando no Castelo com Bean.

 

”Tá, mas e aí? Essa merda presta? Falou, falou e não falou nada, tem review pra caralho nesse Google!”

 

Desencanto trás pra quem é fã de Matt Groening sua mesma fórmula e estética de desenhos, seja visual ou nas piadas. Porém temos uma atualização de universo, nos levando para uma Idade Média fantasiosa digna de fãs de D&D, ou pra quem é fã de Simpsons, pode ser uma versão escrachada do jogo que Bart e Marge jogam na 18ª temporada no episódio ”Marge na Internet”, o game “Earthland Realms” – “Reinos Terrestres”, era uma paródia clara de World of Warcraft com pitadas de Senhor dos Anéis. Na série, temos várias referências da cultura nerd que podem ser pegas e muitos contextos sendo aproveitados, como por exemplo o acréscimo de Vikings ou uma sociedade réptil ”chinesa”, e diversas zoeiras com séries atuais e seus formatos. No campo das proximidades, o humor e criação se aproxima muito do filme Monthy Python com uma mescla dos elementos de GOT, tudo isso misturado num universo que tem um fim, como uma boa crença medieval! (Sim, ele tem uma borda limite aonde tudo acaba).

Trazendo enredo cômico super exagerado, memes brasileiros na versão dublada (Coisas como: ”Irineu”, ”Se pudesse eu matava mil”, Geremias e Atoladinha), apesar de todas as críticas sobre a fraqueza no formato (Como se não estivéssemos falando de algo gerado praticamente 29 anos atrás), Desencanto tem seus acertos e peculiaridade e vale ser assistido numa tarde de domingo enchendo a cara, mas se você for menor de idade se contenta com Coca Cola seu lixo, não tou aqui pra te levar pro mal caminho. Por não ser um desenho feito para TV aberta ou a cabo, o que passou a dar problemas em Simpsons e Futurama, a abertura proposta pela Netflix nos permite aproveitar todo humor tosco e violento de Matt Groening, que está dividido em duas partes, com um plot twist digno de Game of Thrones na primeira parte! A segunda será lançada em breve com mais dez episódios.

 

Créditos das imagens: Netflix/Divulgação

 

Aquiles Barbosa

Author Aquiles Barbosa

Historiador, alcoólatra e fanfarrão. Escrevi umas colunas e fui sequestrado por nerds que me obrigam a comer fast food e produzir conteúdo. (Ajude-me Obi-Wan Kenobi!)

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