Grant Morrison, álcool, máfia, Netflix e Happy!

By 2 de maio de 2018Colunas

Após o sucesso na Netflix de ‘’The end of the f**cking world’’, surge mais uma graphic novel adaptada em seu catálogo.  A adaptação de ‘’Happy’’, escrita por um dos carecas mais famosos e queridos dos universos dos quadrinhos, Grant Morrison, um escritor do qual eu tenho um grande apreço.

  Meu primeiro contato com Grant Morrison e seus trabalhos, foi na sua clássica HQ da Vertigo, chamada: ‘’Como matar seu namorado’’, onde o autor mostra todo seu talento, brincando com o ócio da juventude de classe média britânica, crises de identidade, problemas com a família e um mundo de sexo, vandalismo, drogas e assassinato. Com traços de roteiro que pulam de Alan Moore para Frank Miller e Neil Gaiman, Grant é um roteirista icônico.

  Alguns roteiros para Hellblazer, dos anos clássicos na década de noventa, apesar de um papel bem curto. Além de The Invisibles, Patrulha do destino e meu atual roteiro favorito do mesmo, ‘’Joe, o Bárbaro’’, que conta a história de um garoto diabético, que perdeu seu pai na guerra, e passa as tardes sozinhas enquanto a mãe trabalha. Seu universo é sondado por sua diabetes, e seu quarto solitário junto de seus brinquedos. Mas a hipoglicemia tem seu preço, alucinação, e assim Joe se vê mergulhado no universo de seus brinquedos, aonde eles são reais, aonde o mundo deles é real, e se vê fazendo parte de uma profecia que trará luz para esta terra. (Enquanto ele não conseguir alcançar um refrigerante na geladeira).

  Grant Morrison também fez seu nome em sagas como Crise Infinita, Batman (Como: Incorporated, Batman VS Robin, Lendas do cavaleiro das trevas, Asilo Arkham – Uma Séria Casa em um Sério Mundo), sendo ativo na revista britânica 2000AD, conhecida por Judge Dredd. Além de outros trabalhos como: Flex Mentallo, Seaguy e The Filth. (Claro! Os Novos X-Men de 2002, Spawn e Heavy Metal).

‘’Porra Aquiles, tu deu uma descrição quase completa do cara, mas e aí?’’

E aí que a Netflix está apostando nessa careca talentosa e adaptou a Graphic Novel, ‘’Happy’’, para seu catálogo, e é disso que vamos falar aqui. A trama gira em torno de Nick Sax, um ex policial que tinha prestígio no departamento e em sua cidade, mas se afunda e acaba na sarjeta. Conhecido como mercenário e um matador de aluguel viciado em drogas, porrada e sexo (Estilo clássico de Grant Morrison, quando ele não está desenhando cuecas em cima das calças). Sax se vê morto por um ataque cardíaco após a realização de um trabalho, mas quando acorda na ambulância, se vê atormentado por um maldito pônei azul, que não cala a boca nem por um segundo, e lhe pede ajuda para resgatar sua amiga, Hailey, que foi sequestrada por um ‘’Papai Noel’’ do mal. Assim Nick entra em um dilema de como confiar numa alucinação azul e infantil, e se isso vale a pena.

Agora vamos ao desenrolar com a Netflix. Para quem é fã de comédia escrachada com doses de violência gratuita e sarcasmo, a série é sua pedida, inclusive, se ainda não conhece o trabalho do careca, procure. Porém temos alguns pontos para citar: Os acontecimentos são muito ‘’HQ’’, ou seja, as lutas e as formas que as coisas acontecem, ou até mesmo a jogada ‘’tosca’’ com a câmera e os efeitos são para deixarem a série característica de sua Graphic Novel original. Happy era um trabalho de Grant que não se popularizou no Brasil, afinal, não veio para cá em seu lançamento. Naturalmente deveria ter sido feito pela Vertigo, e cá entre nós, poucos leitores separam um escritor para acompanhar especificamente seus trabalhos, Happy era uma daquelas novels que estava no underground pra muita gente, mesmo com a grandiosidade do roteirista. Agora, voltando a série, a violência é extremamente quadrinizada, não chegando a ser uma espécie de Sin City, porém, nota-se a diferença, Christopher Meloni incorporou totalmente o papel de Nick Sax, trazendo com maestria o personagem pras telas, com todo seu sarcasmo usual e trejeitos de beberrão.

Happy é uma boa pedida para fãs de Grant Morrison, fãs da Vertigo, para vocês que querem uma comédia com um bom desenrolar e doses violentas de ossos quebrados, psicopatas, mafiosos e tríades. Com 77% de Tomatometer, e 93% de sucesso com a audiência no Rotten Tomatoes, se é que alguém se importa com eles!

 

 

Aquiles Barbosa

Author Aquiles Barbosa

Historiador, alcoólatra e fanfarrão. Escrevi umas colunas e fui sequestrado por nerds que me obrigam a comer fast food e produzir conteúdo. (Ajude-me Obi-Wan Kenobi!)

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